quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Consciência de pedra


Não podemos ter a nossa consciência determinada pelo materialismo (pão), mas por uma cosmovisão cristã pavimentada pelo caráter de Cristo, a Pedra angular (Efésios 2:20), e por Sua Palavra que é Espírito e vida (Evangelho segundo João 6:63).

Matheus Viana

Ao meditarmos sobre o diálogo entre Jesus e o tentador, vemos a proposta para que o Filho de Deus transformasse pedra em pão. O motivo? Jesus estava com fome. Demonstração de que Ele, apesar de ser Deus, também era homem.

Quando Karl Marx, usando a dialética hegeliana, teoriza o materialismo, o intuito é de apontar as mazelas do modo de produção capitalista e a opressão da elite burguesa sobre a classe operária no Século XIX. Ou seja, existia uma “fome de justiça” social.

Marx disseca o processo histórico e a dicotomia de classes nele ocorrida em razão da transformação dialética. Usando a forma clássica: tese + antítese = síntese, apontou as principais transformações sociais e os modos de produção delas provenientes. Exemplo: usando os senhores de terras (suseranos) como ‘tese’ e os vassalos (arrendatários) como ‘antítese’, temos como síntese (resultado) o feudalismo; usando os burgueses como ‘tese’ e os operários como ‘antítese’, temos como síntese o capitalismo.

Por isso, Marx afirma que a consciência do homem é determinada pelo seu ser social. Como ele é responsável pelo processo de transformação de sua realidade, deve criar meios para acabar com este abismo social, ou seja, “saciar a fome de justiça” por meio do processo revolucionário. Processo que consiste, conforme o próprio Marx afirmou: “na derrubada violenta de toda ordem social”, também chamada por ele e pelos seus simpatizantes de “ditadura do proletariado”.

Assim como no deserto, Marx se deparou com uma necessidade. Mas os meios de saciá-la não são lícitos. O tentador queria que Jesus condicionasse Sua consciência, e consequentemente Suas ações, ao patamar materialista, natural. Contudo, sabemos que a essência de alguém verdadeiramente nascido de Deus, apesar de estar também pavimentada pela razão, é sobrenatural.

Antes da queda, a trinomia humana era definida como ser-pensar-agir. O ser humano, conforme o livro de Gênesis relata, foi formado à imagem e conforme a semelhança de Deus (Gênesis 2:7) como consequência do estabelecimento prévio da vontade e do propósito divinos (Gênesis 1:26-28). Portanto, o ser humano, por ser formado à imagem de Deus, pensava de acordo com Sua vontade e propósito e agia segundo tal consciência. Mas a queda mudou drasticamente tal realidade.

Satanás, travestido de serpente, deturpou, com seu argumento ardiloso, a consciência (maneira de pensar) de Eva (Gênesis 3:1-5). Por pensar que a desobediência seria, naquele contexto, uma proposta interessante – já que, segundo seu entendimento deturpado, se tornaria como Deus, conhecedora do bem e do mal -, Eva tornou-se uma desobediente em potencial. Fato que desencadeou em toda a humanidade como um efeito cascata (Romanos 5:12). O apóstolo Tiago elucida sobre este fato dizendo: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” (Tiago 1:14).

O ato de desobedecer, no entanto, era questão de oportunidade. E ela estava bem ali na sua frente. Não deu outra. Usando a teoria ‘ato-potência’ de Aristóteles para compreendermos o fato, a desobediência foi o ato do que Eva se tornou em potência por conta de sua maneira de pensar contrária à vontade e ao propósito divinos. A partir de então, a trinomia humana passou a ser definida como pensar-ser-agir. O ser humano pensa, sua consciência determina o que ele é e seu ser, consequentemente, pavimenta suas ações.

Sim, o plano de Deus ao homem é restaurar sua essência de modo que ele volte a ser (Efésios 4:13), a pensar (I Coríntios 2:16) e a agir (I João 2:6) como Jesus, a imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15) segundo a qual fomos formados. Para isso, não podemos ter a nossa consciência determinada pelo materialismo (pão), mas por uma cosmovisão cristã pavimentada pelo caráter de Cristo, a Pedra angular (Efésios 2:20), e por Sua Palavra que é Espírito e vida (Evangelho segundo João 6:63). É por isso que Ele, diante da tentação, bradou: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” (Evangelho segundo Mateus 4:4). 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tendência suicida


Submeter-se à consciência divina é seguir rumo à vida. Por isso, Paulo nos convida a pensarmos como Cristo (I Coríntios 2:16). O contrário, no entanto, também é verdadeiro. Conforme ocorreu com o ser humano no Éden, seguir a própria consciência é caminhar rumo à morte. Em outras palavras, uma “tendência suicida”.

Matheus Viana

A psicologia classifica o comportamento de um indivíduo que por seus próprios atos, e de forma consciente, tenta causar a própria morte de “tendência suicida”. Esta consciência, segundo a psicologia e também a psiquiatria, é considerada patológica. Claro que tal afirmação demanda uma explicação mais técnica e acurada, mas o espaço e sua paciência não permitem.

Sendo assim, podemos afirmar que não é normal alguém buscar a própria morte. Pelo contrário! É notório o esforço da ciência – principalmente da biologia e da genética - em prolongar, o máximo possível, a vida humana. No entanto, o ser humano caminha rumo à morte. Não falo apenas do fim da existência sobre a terra (necrós), mas de sua morte em todos os sentidos. Deus deu ao homem, no momento em que o formou, uma consciência. Mais do que isso! Concedeu-lhe a capacidade de pensar, sentir, desejar e escolher (Gênesis 2:7). Porém, o ser humano usou-a para causar sua morte. Explico.

Platão e Aristóteles, pensando sobre a cosmologia e a astronomia, diziam que há uma consciência regendo a harmonia existente no universo. Platão, em seu livro Leis, fala do “movimento baseado nos astros, e de todas as coisas sob o domínio da mente que ordenou o universo”.

Aristóteles, em sua teoria ‘ato-potência’, contida em sua obra Metafísica, preconizava que tudo o que existe na natureza é produto do ato daquilo que era em potencial. Exemplo: uma árvore é produto do florescer – germinar – da semente que era uma árvore em potencial. A árvore é o ato da potência que havia na semente oriunda do fruto de outra árvore da mesma espécie. Contudo, Deus é o ‘ato puro’, a origem de todas as coisas.

Tomás de Aquino, grandemente influenciado por Aristóteles, dizia que tudo que existe no universo carrega em si um objetivo e se dirige a ele, por si só, pela consciência que possui. Já as coisas que não têm consciência estão sob a direção de alguém que possui consciência e inteligência. Deus, segundo Aquino, é este ser consciente e inteligente que direciona a natureza a cumprir seu objetivo.

O salmista declara a este respeito: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”. (Salmos 19:1). O apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos, afirma: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis.” (Romanos 1:20). É fato: Deus é o Supremo Regente do espetáculo do universo. A inteligência por trás da natureza.

Entretanto, por que o ser humano, no início, escolheu caminhar para a morte ao, conscientemente, desobedecer a Deus? Sim, ambos – tanto o homem como a mulher - sabiam qual seria a consequência de tal ato (Gênesis 2:17). Questão pertinente, pois hoje não é diferente.

O que levou o ser humano a desobedecer a Deus, e atrair sobre si a morte (Romanos 5:12), foi o mesmo motivo que tem levado muitos a trilharem caminhos que, conforme Salomão elucida: “... parecem direitos, mas no final são caminhos de morte”. (Provérbios 16:25). Eva teve seu modo de pensar deturpado pela serpente (Gênesis 3:1-5). Com isso, sua consciência foi adormecida no tocante as consequências de seus atos. Esta mesma letargia é a marca fundamental do chamado ‘pós-modernismo’. Paulo já falava sobre esta letargia de consciência quando advertiu: “Porque o deus deste século cegou o entendimento das pessoas para não lhes resplandecer a luz do evangelho.” (II Coríntios 4:4). Foi o que ocorreu com Eva no Éden. É o que acontece atualmente.

O ser humano está acometido por uma tendência suicida. De maneira consciente, faz escolhas pavimentadas por uma rota que conduz à morte em seu sentido amplo (Thanatos). Ao invés de se render à consciência salutar dAquele cuja inteligência rege o universo, prefere se entregar, num verdadeiro “salto no escuro” existencialista – falaremos sobre isso em breve –, à deriva de sua própria consciência.

Submeter-se à consciência divina não implica em se amoldar ao fanatismo religioso nem ao fundamentalismo obscurantista. Mas sim à razão contida nas Palavras que são “espírito e vida.” (Evangelho segundo João 6:63). Sim, estas Palavras são proferidas por Aquele cuja consciência rege todo o universo com Suas leis físicas e processos naturais. Por Aquele que nos criou à Sua imagem e conforme a Sua semelhança com vontade e propósito (Gênesis 1:26-27).

Submeter-se à consciência divina é seguir rumo à vida. Por isso, Paulo nos convida a pensarmos como Cristo (I Coríntios 2:16). O contrário, no entanto, também é verdadeiro. Conforme ocorreu com o ser humano no Éden, seguir a própria consciência é caminhar rumo à morte. Em outras palavras, uma “tendência suicida”.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Está Escrito


A ‘logos’ que vence a tentação

Matheus Viana

Introdução

Um dos principais diálogos registrados nas Escrituras é o narrado por Mateus entre Jesus e Satanás (Evangelho segundo Mateus 4:1-11). Nele podemos conferir que a vitória de Jesus foi pavimentada tanto pelo aspecto espiritual (sobrenatural) quanto pela razão (intelectual). Simplesmente incrível!

O aspecto sobrenatural – a ação do Espírito Santo em Sua vida – é notório no tocante ao propósito que O levou a ser conduzido ao deserto: ser tentado pelo diabo. Sua humanidade seria colocada à prova. Sim, Ele era o Filho do Deus vivo, conforme o próprio Deus havia dito momentos antes na ocasião de seu batismo por João Batista (Evangelho segundo Mateus 3:16) e Pedro, posteriormente, afirmaria (Evangelho segundo Mateus 16:16). Mas ele também é o Deus que se fez homem, ou seja, assumiu a plenitude da forma humana (Filipenses 2:6-8). Resumindo, conforme ficou definido no Concílio de Calcedônia (451 d.C), Jesus era 100% Deus e 100% homem.

Jesus teria que vencer o tentador como homem. Assim, Sua vitória seria plena, a fim de que a profecia de Isaías se cumprisse sobre a humanidade (Leia Isaías 53:5). Era pegar ou largar. Ele enfrentou o desafio e venceu. Contudo, o tentador não parou por ali...

Após a consumação da vitória na cruz, pouco antes de Sua ascensão, Jesus fez pelos Seus discípulos a seguinte oração: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”. (Evangelho segundo João 17:15). Intercessão emblemática que carrega um propósito: difundir o Evangelho do Reino dos céus a fim de que Ele seja estabelecido sobre a terra, conforme o pedido expresso na oração que, anteriormente, ensinou-lhes a fazer: “Venha a nós o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus.” (Evangelho segundo Mateus 6:10). Mas, para isso, eles não poderiam cair em tentação.

Não é diferente conosco. Para o êxito desta empreitada é necessário vencermos as tentações do “deus deste século” que cega o entendimento das pessoas para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho do Reino dos Céus (II Coríntios 4:4). O tentador aplicou a mesma tática para com Jesus com o intuito de desviá-lo da plenitude do propósito divino. No entanto, Jesus venceu. Já a humanidade tem sucumbido. A causa: mentes “cegadas” – entorpecidas - por suas tentações ardilosas.

Embora tenha sido um desafio de caráter espiritual, Jesus utilizou um arsenal racional. Assim como preconiza a teologia de Agostinho de que a razão é serva da fé, Jesus usou sua razão para estabelecer o poder espiritual que possuía como Filho de Deus. Não foi em vão que Jesus, ao vencer cada tentação que lhe foi proposta, bradou: "está escrito". Não foi meramente uma opção, mas um princípio. Pois, conforme vimos anteriormente, a estratégia que o tentador usa para nos impedir de concluirmos o propósito de Deus sobre a humanidade é a deturpação em nossa mente. Foi desta forma que ele logrou êxito com Eva e Adão no Éden (Gênesis 3:1-6). Corrompeu o entendimento de Eva que passou a pensar de forma contrária aos princípios e propósitos de Deus à sua vida. A desobediência e a consequente queda foram meros efeitos colaterais.

Cada uma das três tentações propostas a Jesus pelo tentador representa um período e também uma teoria filosófica/científica de nossa história. A primeira delas foi a de que Jesus, sentindo fome, transformasse pedra em pão (Evangelho segundo Mateus 4:3). Nesta proposta é clara a ideia de transformar algo duradouro em um suprimento momentâneo.

Esta proposta é feita a nós, além de outras teorias, através do chamado materialismo histórico/dialético. Teoria criada pelo filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) que preconiza que a consciência humana é determinada pela ação da matéria sobre a realidade. Consciência, neste contexto, não é meramente a razão do indivíduo, mas sua plena personalidade, considerando que o materialismo de Marx deriva da dialética de outro filósofo alemão, Georg Hegel (1770-1831), que define consciência como a “ideia absoluta”. A diferença é que, enquanto Hegel diz que esta “ideia absoluta” gera a matéria, Marx afirma o contrário: a matéria determina a consciência. Falaremos sobre a origem, o contexto e as implicações sociais do materialismo sobre a humanidade em breve.

A segunda proposta feita pelo tentador a Jesus foi a de que Ele se lançasse da parte mais alta do Templo a fim de ser salvo pelos anjos. Aqui é evidente a ideia da fé inconsequente, ou seja, completamente desprovida de razão. Sim, Jesus poderia pular e, com certeza, seria salvo pelo sobrenatural de Deus. Mas o fato de não ter cedido a esta ardilosa proposta nos deixa uma lição que veremos adiante. 

Esta segunda proposta é feita a nós hoje através do existencialismo, filosofia que apregoa o “salto de fé”. Ou seja, a conduta humana que abandona a razão e que se pauta unicamente pelos seus instintos e impulsos, sentido de sua existência. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) define como ‘falsa moral’ qualquer artifício usado para controlar ou coibir os impulsos e instintos humanos. É a morte da moralidade. Neste mesmo mote, o filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) foi o mentor intelectual da revolução contracultura, em 1968, que apregoou o lema ‘sexo, drogas e rock´n roll’. O que gerou o crescimento vertiginoso da sexualidade juvenil e do consumo de drogas ilícitas. Veremos as implicações do existencialismo e o êxito que o tentador tem conseguido com tal proposta sobre a humanidade em breve.

Já a terceira proposta do tentador a Jesus foi de conceder a Ele todos os reinos do mundo se prostrasse diante de seus pés e o adorasse (Evangelho segundo Mateus 4:9-10). Aqui é clara a ideia de que as riquezas e os poderes deste mundo podem se tornar ídolos aos homens. Realidade que nos enreda. É explícita a tentação de Satanás a nós através da cultura consumista. Se no materialismo histórico/dialético a consciência (personalidade e modo de pensar) do indivíduo é determinada pela ação da matéria sobre a realidade que o cerca, no consumismo é por aquilo que ele pode adquirir e consumir. O ter define o ser. Ambos são deturpações da razão que Deus estabeleceu sobre o homem.

A humanidade tem sucumbido diante destas três tentações disseminadas ao entendimento coletivo: materialismo histórico/dialético, existencialismo e a cultura do consumo (consumismo). O que a tem distanciado do propósito de Deus. É por isso que o apóstolo Paulo adverte: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis a boa, perfeita e agradável vontade de Deus”. (Romanos 12:2).

Analisaremos cada um destes três pontos e depois mergulharemos nos pormenores que Jesus usou para vencer cada tentação que lhe foi proposta. O mesmo Espírito que estava sobre Ele está sobre nós. Que renovemos a nossa mente a fim de sentirmos (Filipenses 2:5), pensarmos (I Coríntios 2:16) e agirmos (I João 2:6) como Ele. Deste modo, a vitória é certa (Romanos 8:37).

Até breve...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O regente capital


O amor ao dinheiro e seus efeitos colaterais

Matheus Viana

Capital ou simplesmente dinheiro. Assunto que aborda as quatro esferas fundamentais de uma sociedade: espiritual, moral, política e social. Jesus falou acerca dele sob estas quatro perspectivas.

Espiritual quando disse: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e odiará a outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.” (Evangelho segundo Mateus 6:24).

Moral quando, em resposta ao seu discípulo Judas que, segundo a Bíblia, propôs; “Por que este perfume não foi vendido e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários. Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava a tirar o que nela era colocado”. (Evangelho segundo João 12:6), disse: “Deixa-a em paz; que o guarde para o dia do meu sepultamento. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão”. (Evangelho segundo João 12:7).

Politica quando respondeu ao ser interrogado pelos fariseus no tocante ao pagamento do imposto ao império romano “... dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. (Evangelho segundo Lucas 20:26).

E social quando aconselha o jovem rico que lhe indagara sobre como receber a vida eterna “... Venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres”. (Evangelho segundo Lucas 18:21).

Há muitas literaturas e ensinos sobre finanças. Contudo, a esmagadora maioria não aborda estes aspectos. Nos Evangelhos, vemos que Jesus elucida o ensino sobre dinheiro na ordem citada acima. Por quê? O apóstolo Paulo, anos mais tarde, exorta seu discípulo Timóteo: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. (I Timóteo 6:10). Tal afirmação possui sua base nos ensinamentos de Jesus.

Seu primeiro ensinamento foi sobre o fato de servirmos ao dinheiro. No entanto, não abordou somente o prestar serviço, mas o ser devoto a ele. Na contramão da filosofia que rechaça qualquer atributo de caráter metafísico disseminada por Nietzche e que ecoa na mente de ateus, toda devoção, ainda que seja a algo natural, tem sua origem na esfera espiritual.

A primeira afirmação de Jesus proferida em seu sermão da montanha foi: “Bem-aventurado os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus”. (Evangelho segundo Mateus 5:3). Esta era uma confirmação de sua missão revelada por Ele quando pregava em uma sinagoga na cidade de Nazaré: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres...”. (Evangelho segundo Lucas 4:18). Que, na verdade, era o cumprimento da profecia decretada pelo profeta Isaías (Isaías 61:1).

Muito mais do que o reconhecimento de nossa miserabilidade em relação à soberania divina, Jesus queria nos ensinar sobre quem realmente é alvo de Seu reino: os pobres de espírito. A pobreza espiritual é o epicentro da pobreza humana em todos os outros aspectos. E esta, consiste em, além de sermos pobres, permanecermos nela sem reconhecê-la e, com isso, rejeitando a intervenção divina que nos foi oferecida.

A partir do momento que o nosso espírito é corrompido, uma reação em cadeia acontece. Nossa moral é deteriorada (Jeremias 17:9), corrompendo a política e comprometendo toda a sociedade (Isaías 60:2).

Para compreendermos o ciclo da degradação humana, usaremos como exemplo a saga de Judas. O drama vivido por ele que culminou em seu suicídio começou no fato de não observar o primeiro mandamento de Jesus: o de não servir ao dinheiro.
Judas era um dos doze discípulos mais próximos de Jesus. Acompanhou de perto os ensinamentos, os milagres e todo o desdobramento do ministério do Mestre. Mesmo assim não deixou de ser submisso ao seu extremo apego ao dinheiro. A narrativa bíblica é clara quando descreve sua personalidade: um ladrão que, responsável pelas finanças de Jesus, tirava para si o que era arrecadado.

O fator preponderante que resultou na depreciação moral de Judas foi sua miséria espiritual em não reconhecer Jesus, o filho de Deus a quem seguia, como Senhor da sua vida acima do materialismo que nutria em sua alma.

Esta mesma inobservância foi o epicentro da crise econômica deflagrada em 2008 e que deixou sérios resquícios os quais temos convivido. A Europa que o diga. Não foi apenas um mero colapso do sistema capitalista, mas a pobreza espiritual instalada no coração do homem que o faz ser dependente e absurdamente devoto ao capital.

Sim, o sistema econômico mundial vigente prega e dissemina a filosofia do capital como centro de todas as coisas. Logicamente, não serei incoerente em ignorar o fato de ele ser necessário para o sustento e suprimento de nossas necessidades, além de um importante agente de desenvolvimento em todas as quatro esferas aqui analisadas. Contudo, ele não pode, de maneira nenhuma, reger nossas vidas. Todavia, tem sido exatamente ele o soberano regente da sociedade pós-moderna.

Todo o descalabro causado pelo dinheiro é oriundo da nossa devoção a ele. No entanto, devemos evitar os dois extremos: um que o coloca como supremo objeto de culto e outro que o demoniza. Estes dois pólos - o capitalismo e o marxismo – estão em constante confronto. Mas, exatamente na dicotomia existente entre eles, há o iminente estabelecimento do Reino dos Céus.

Somos cientes dos males causados pelo capitalismo extremo ou qualquer outro comportamento, sistema econômico ou regime político que atribua ao dinheiro um valor absurdamente acima de tudo e todos. Contudo, usando este artifício de maneira ardilosa e sob o preceito de extinguir o hiato entre a burguesia e o proletariado, Karl Marx, o criador do regime político mais genocida do planeta, articulou mecanismos que visam dilacerar a moralidade de toda uma sociedade. Seu propósito? Que ela seja sucumbida e dominada pelo motim chamado de ‘movimento revolucionário’ que, gradativamente, tem corroborado para a degradação a qual somos reféns.

Publicado anteriormente na edição 001 de Profecia

terça-feira, 31 de julho de 2012

A prática da Graça


É fato: não conseguiremos ser santos pelos nossos próprios esforços (Romanos 7:18-19). Eles, tampouco nossas obras, podem nos salvar. Contudo, o Cristianismo consiste em respondermos à Graça que recebemos. E a única resposta que podemos dar é a plena submissão ao processo de santificação.

Matheus Viana

A salvação é pela Graça, mediante a fé (Efésios 2:8). O habitar e a ação do Espírito Santo, o selo de nossa redenção (Efésios 4:30), em nós também são (Evangelho segundo João 1:12). Mas a Graça de Deus não anula o confronto existente entre a santidade e o pecado que “tenazmente nos assedia”. (Hebreus 12:2).

O apóstolo Paulo sugere a seguinte reflexão: “Que diremos, pois? Continuaremos pecando para que a graça de Deus aumente? De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?”. (Romanos 6:1-2). O que Paulo quer dizer é que a Graça de Deus a nós, apesar de nosso imerecimento, deve ser aceita de modo a gerar frutos. Quais frutos? João Batista dá um indício quando preconiza: “Produzi frutos dignos de arrependimento”. (Evangelho segundo Mateus 3:8).

John Wesley conceitua santificação como “um processo de crescimento em graça que começa no momento em que, pela fé, Deus perdoa o pecador arrependido e inicia o processo de sua transformação íntima”. Não seria esta uma síntese do ensino do apóstolo Paulo aos coríntios que diz: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando como por espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória conforme a sua imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (II Coríntios 3:18)?

Claro que sim! Temos o “rosto desvendado” em detrimento da obra de Jesus na cruz do Calvário (Filipenses 2:8). Ao render Seu Espírito, bradou. E este bradar fez com que o véu do Templo se rasgasse de alto a baixo (Evangelho segundo Mateus 27:50-51). A Graça de Deus, manifesta na cruz de Cristo, nos desvendou. Os pecados que nos separavam de Deus (Isaías 59:2) foram extirpados. Este é o ponto de partida.

Portanto, contemplar a “glória do Senhor”, conforme as Escrituras relatam no Antigo Testamento, redunda em morte. No Novo Testamento, Jesus é a demonstração da glória do unigênito do Pai (Evangelho segundo João 1:14). Exatamente. Quando vemos Jesus, na plenitude do que Ele é, através das Escrituras (Evangelho segundo João 5:39), é impossível não querer segui-lo. Ele é o Filho do Deus altíssimo (Evangelho segundo Mateus 16:16). O caminho, a verdade e a vida (Evangelho segundo João 14:6). E muito mais...

Para segui-lo, temos que tomar a nossa cruz (Evangelho segundo Mateus 16:24). Ou seja, nos submetermos ao processo de transformação oriundo da Graça. É fato: não conseguiremos ser santos pelos nossos próprios esforços (Romanos 7:18-19). Eles, tampouco nossas obras, podem nos salvar.

Contudo, o cristianismo consiste em respondermos à Graça que recebemos. E a única resposta que podemos dar é a plena submissão a este processo de santificação. Fazer morrer a nossa natureza pecaminosa (Colossenses 3:5), mortificando os desejos e feitos da carne (Romanos 8:13), não é opcional. Isto implica em conflitos e renúncias. Não é a toa que Jesus, logicamente usando uma linguagem figurativa, elucida: “Se teu olho te faz pecar, arranca-o. Pois é melhor entrar cego de um olho no Reino dos céus do que fazer perecer todo o seu corpo no inferno”. (Evangelho segundo Mateus 5:29).

O Evangelho não dá base para a “teologia da graça barata”. Esta deturpação afirma que a Graça tira de nós toda e qualquer responsabilidade de resistirmos à tentação. “Ele já fez tudo, qualquer esforço humano é vão”, dizem alguns adeptos. Sim, é a ação do Espírito Santo que nos concede a vitória sobre o pecado, mas a renúncia parte de nós. O Espírito Santo nos auxilia em nossas fraquezas (Romanos 8:26). No entanto, optar pela santidade – de modo a nos submetermos à Sua ação – é a nossa parte no relacionamento com Cristo. Uma coisa é receber de Sua Graça. Outra coisa é praticá-la. Este é o desafio do Cristianismo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Os pacificadores


A paz que Jesus veio estabelecer, como extensão de Seu caráter, é diferente – divergente, em muitos casos – da que conhecemos em nosso senso comum. Ela não será estabelecida enquanto as obras do ‘deus deste século’ cegar o entendimento das pessoas (II Coríntios 4:4).

Matheus Viana

 “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Evangelho segundo Mateus 5:9).

Viver o Cristianismo consiste em exercer a paz. O escritor da carta aos hebreus preconiza: “Segui a paz com todos e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor”. (Hebreus 12:14). Isso se dá pelo fato de ‘paz’ ser um dos atributos fundamentais do caráter de Jesus, o Cristo. Isaías, acerca dEle, profetizou: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o governo está sobre os seus ombros e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6).

Contudo, a paz que Jesus veio estabelecer sobre a terra, como extensão de Seu caráter, é diferente – divergente, em muitos casos – da que conhecemos em nosso senso comum. O próprio Jesus orienta: “Minha paz vos dou, não como o mundo a dá”. (Evangelho segundo João 14:27). O que cria em nós a necessidade de conhecermos a plenitude desta paz. Para isto, utilizemos o método socrático.

Qual a Logos (razão) da paz? Conforme vimos no texto ‘A verdadeira escada do êxito’, Sócrates formulava questões em busca da conceituação completa do objeto de seu pensamento. Pois, para ele, este conceito só seria formado quando descobrisse o propósito e o processo de existência e do funcionamento de tal objeto.

É interessante o fato de o apóstolo João conceituar Jesus como a Logos de Deus quando diz: “No princípio era a Palavra, a Palavra estava com Deus e era Deus.” (Evangelho segundo João 1:1). Em algumas traduções, a expressão usada no lugar de ‘Palavra’ é ‘Verbo’.

Mas a expressão Logos – que aparece no original grego -, conforme o senso comum, não se refere apenas à palavra escrita. João usou esta expressão em virtude da influência que o significado que Sócrates aplicou a ela exercia. Ou seja, Logos é a Palavra viva que gerou a existência de todas as coisas, conforme narrado em Gênesis 1. A Palavra de Deus que executa a ação criadora em virtude do poder que é liberado (Evangelho segundo João 6:63). Podemos então afirmar que Jesus, a Logos de Deus, é a Palavra que gera uma ação criadora ou restauradora (verbo) em virtude do poder liberado para um propósito (razão), oriundo de uma consciência, definido. Logos, portanto, é constituída de ação, poder e razão.

O apóstolo Paulo diz que “Porque dele, por ele, e para ele são todas as coisas.” (Romanos 11:36). Jesus é a ação, o poder e a razão de Deus aos homens. Por isso nossa fé nEle, além de considerar os preceitos ação (atitude) e poder (ação do Espírito Santo), não pode ser desprovida de razão.

Jesus, conforme Ele mesmo afirmou, não veio trazer paz, mas espada (Evangelho segundo Mateus 10:34). Intento paradoxal? Positivo se o seu conceito de paz estiver sob a perspectiva humana. Negativo se estiver sob a perspectiva divina. O apóstolo João revela o intento da encarnação de Jesus: “Para isto se manifestou o filho de Deus, para destruir as obras do maligno”. (I João 3:8). A plenitude de Sua obra depende disto. Foi exatamente o que Ele fez ao suportar e vencer a cruz ao ponto de bradar: “Está consumado!” (Evangelho segundo João 19:30). Não há salvação sem destruição do pecado e de sua consequente maldição. Não há nova vida sem a destruição da velha (II Coríntios 5:17).

Este é o sentido empregado no texto da carta aos hebreus: “Segui a paz com todos e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor”. Não há paz sem santificação. E não há santificação – triunfo da vontade de Deus sobre a humana – sem destruição do pecado, chamado pelo apóstolo Paulo de “obras da carne”. E este só pode ser destruído por meio da cruz. Por isso, Jesus ordena: “Aquele que quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome cada um a sua cruz e siga-me”. (Evangelho segundo Mateus 16:24). Resumindo: não há paz sem cruz.


Fomos chamados para sermos pacificadores. Fato que consiste em destruirmos as obras do maligno. Não é possível ter paz com Deus vivendo uma vida de pecado. Assim como não é possível a paz entre dois cônjuges quando um deles vive em adultério. A paz de Cristo não será estabelecida na terra (Evangelho segundo Mateus 6:10) enquanto as obras do “deus deste século” cegar o entendimento das pessoas (II Coríntios 4:4). É preciso destruí-las. Esta é a ardente expectativa da criação (Romanos 8:19). Isso mesmo! A manifestação dos filhos de Deus que, conforme Jesus afirmou em Seu sermão da montanha, são estes ‘pacificadores’.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O ‘pneumatos’ de cada dia


Para entendermos um pouco mais o que o apóstolo Paulo quis ensinar no capítulo 8 de sua carta aos romanos, devemos primeiramente compreender o contexto em que ela foi escrita.

Matheus Viana

A expressão grega ‘pneuma’ é utilizada no português como referência ao fôlego humano. Um exemplo é a palavra ‘pneumonia’, usada para nomear a infecção pulmonar que acarreta na queda da capacidade de respiração de um indivíduo.

No entanto, a expressão ‘pneuma’ é traduzida para o português como ‘espírito’. A palavra ‘Espírito’ - com maiúsculo -, que faz referência ao Espírito Santo de Deus, é a tradução da palavra grega ‘pneumatos’ – que aparece, por exemplo, em Atos 1:8 na versão original - para o português.

É interessante quando analisamos a narrativa de Gênesis: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente”. (Gênesis 2:7). A palavra ‘formar’, diferente de criar, nos dá a ideia de que algo, neste caso o ser humano, foi feito segundo um padrão, uma forma para ser mais exato. Não é simples semântica.

Deus é um Ser trino. Portanto, o homem foi formado à imagem de Jesus, o Deus que se fez homem (Colossenses 1:15, Evangelho segundo João 1:14). O apóstolo Paulo faz alusão do próprio Jesus como o ‘Segundo Adão’ (I Coríntios 15:45). No final do processo de criação do homem, Deus faz dele uma alma vivente. Ou seja, concede-lhe a capacidade de pensar, sentir, desejar e escolher, a qual Agostinho denomina como livre-arbítrio. Mas há algo fundamental entre o começo e o fim deste processo.

Deus concede ao homem o fôlego de vida. Não se trata de mera capacidade de respirar. Isso mesmo! Deus soprou sobre o homem o ‘pneumatos’. Seu Espírito passou a habitar no homem a partir de então. Que privilégio! Portanto, podemos concluir a anatomia do ser humano antes da queda baseada em Gênesis 2:7: ele é constituído de um corpo, possui uma alma e o Espírito Santo de Deus habita em seu interior.

Sabemos, no entanto, que o homem pecou e cumpriu-se nele a sentença dada previamente por Deus de que no dia em que comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal morreria (Gênesis 2:17). Esta morte é a ausência do Espírito de Deus sobre o homem (Efésios 2:1).

O apóstolo Paulo elucida sobre este fato em um dos trechos mais importantes das Escrituras: o capitulo 8 de sua carta aos romanos. Para entendermos a profundidade – e nunca a totalidade – do que ele quis ensinar, devemos primeiramente compreender o contexto em que esta carta foi escrita, entre os anos 55 e 57 d.C.

O império romano vivia seu auge. Subjugara o vasto império de Alexandre, o grande e também o reino de Israel. Contudo, apesar de seu poderio militar e abrangência política, era um império culturalmente dominado pela filosofia grega, também chamada de helenística.

Um dos sofistas gregos que mais exerceu influencia no pensamento e na cosmovisão dos cidadãos romanos da época foi Platão com sua dicotomia consciência/corpo, entre outros parâmetros filosóficos. Dividiu seu método para obtenção do conhecimento em duas partes: o mundo sensitivo, que faz uso dos sentidos; e o mundo das ideias, que faz uso da razão.

Platão afirmava que o exercício da plena e genuína consciência e a consequente obtenção do conhecimento não eram possíveis através dos sentidos, mas somente pela razão. Acreditava que a alma humana, antes de ser presa pelo cárcere do corpo, pertencia ao mundo das ideias. Afirmava que o ser humano é constituído de razão (consciência) e possui uma alma (presa ao corpo), sempre submissa à razão. Veremos o desdobramento deste pensamento em outros filósofos, como René Descartes, por exemplo, em outra oportunidade.

A alma humana, segundo Platão, divide-se em coragem - a capacidade de lutar - e desejo - referente ao trabalho e aos relacionamentos afetivo e sexual. Vejamos então a anatomia humana em sua visão:

·         Consciência (razão) – região da cabeça
·         Alma (aprisionada pelo corpo):
Coragem (capacidade de lutar) – região do peito e do bíceps
Desejo – (capacidade de sentir e de amar) – região do baixo ventre e dos órgãos genitais

Para Platão, o exercício da razão estava totalmente separado do corpo. Por isso, agir segundo os impulsos da coragem e do desejo representava para ele o total abandono da razão. Este raciocínio vai fundamentar a teologia dos patrísticos nos séculos II a VII, cujo representante mais emblemático é Agostinho de Hipona. É do pensamento platônico - passando pelo estoicismo de Zenão - que vai surgir a teoria cristã da guerra entre o Espírito de Deus, que conduz à santidade, e os feitos da carne (corpo), que conduzem ao pecado. Na tentativa de vencer o desejo do corpo e, consequentemente, o pecado, tornam-se comuns as práticas do ascetismo e, em casos mais extremos, do autoflagelo.

É este drama helênico, fundamentado na experiência, doutrina e razão cristãs, que Paulo utiliza para ilustrar o embate entre a vontade de Deus e a vontade humana. Era a linguagem que os romanos entendiam. Conforme preconiza, os filhos de Deus são guiados a viverem de acordo com o Seu Espírito (Romanos 8:14). Por isso, deve-se mortificar a carne, ou seja, seus desejos e concupiscências (Romanos 8:13), de modo a recebermos de seu ‘pneumatos’ (Romanos 8:11). Pois, assim como Ele ressuscitou a Jesus dentre os mortos, nos ressuscitará para vivermos a Nova Vida que nos foi preparada (II Coríntios 5:17, Evangelho segundo João 10:10).

Continua...


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