sexta-feira, 13 de julho de 2012

Miserável homem que sou


É intrigante a afirmação “... o que faço não é o bem que desejo. Mas o mal que não quero, esse eu faço.” (Romanos 7:19 – Nova Versão Internacional). Vemos aqui duas premissas distintas, porém coesas: desejo e ação. Note que Paulo fala da capacidade humana de desejar sem, contudo, ocultar a incapacidade de agir segundo o desejo.

Matheus Viana

Miserável homem que sou! Constatação feita por um dos mais importantes personagens do Novo Testamento bíblico. Ninguém mais, ninguém menos do que o apóstolo Paulo.

Faço uso deste diagnóstico e o aplico a mim. Afirmo sem pestanejar: sou mais miserável do que ele. Toda a carta de Paulo aos romanos é fantástica. Mas o capítulo 7 merece atenção especial. Nele, Paulo elucida sobre a luta que enfrentamos contra o pecado que habita em nossa carne (Romanos 7:18).

É intrigante a afirmação “... o que faço não é o bem que desejo. Mas o mal que não quero, esse eu faço.” (Romanos 7:19 – Nova Versão Internacional). Vemos aqui duas premissas distintas, porém coesas: desejo e ação. Note que Paulo fala da capacidade humana de desejar sem, contudo, ocultar a incapacidade de agir segundo o desejo.

É possível que tenhamos, no íntimo de nosso ser, prazer na vontade de Deus de modo a desejarmos cumpri-la (Romanos 7:22). No entanto, por conta de nossa natureza pecaminosa (Colossenses 3:5), não somos capazes de realizá-la por nós mesmos. Não é só o nosso íntimo (alma) que, conforme Paulo afirma, pode desejar realizar a vontade de Deus. Com a nossa mente (intelecto), podemos ser servos dela (Romanos 7:25). Contudo, a carne (físico) sempre nos fará escravos do pecado.

Qual a implicação prática de tudo isso? Que a nossa carne deve ser sujeita, a fim de que nossas ações sejam por ela determinada, por uma psique (alma/mente) submissa à vontade de Deus. É por isso que o Paulo adverte: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Romanos 12:1).

Portanto, o processo de santificação – que testifica o exercício do Cristianismo genuíno – implica em sentir o que Jesus sente (Filipenses 2:5) e pensar segundo Ele (I Coríntios 2:16). Isso é evangelismo! Seremos propagadores (evangelistas) na medida em que primeiramente formos alvos. Caso contrário, a mensagem (Evangelho) disseminada não será genuína. O que comprometerá o crescimento do Cristianismo – no tocante ao caráter – e o consequente estabelecimento do Reino de Deus sobre a terra.

Mediante tudo isso, devemos compreender algo chamado ‘epistemologia’, que é a teoria do conhecimento, sobre Deus, sobre nós e sobre o mundo em que vivemos. Platão, em seu método de pensamento, dividiu o conhecimento em duas partes: doxa (opinião) e epísteme (científico). 

O conhecimento com que Deus deseja ser conhecido por nós, e também o que precisamos obter, não é mera opinião (doxa) sobre quem Ele é. Mas o conhecimento (epísteme) de Sua personalidade e essência. O qual obteremos na medida em que O adorarmos (relacionamento) em Espírito e em verdade (Evangelho segundo João 4:24). Ou seja, quando permitirmos que o Espírito Santo, através das Escrituras (O Evangelho de Jesus Cristo), transforme a nossa alma e mente. A mudança radical de atitude (carne) será inevitável.

Sobre Deus, precisamos observar a ordem de Jesus: “Examinais as escrituras, pois elas de mim testificam”. (Evangelho segundo João 5:39). Sim, o conhecimento de Deus é algo, sobretudo, espiritual. Mas, conforme Jesus afirmou, o Espírito Santo nos lembrará de Seus ensinamentos (Evangelho segundo João 14:26). Um processo que se origina no Espírito e alcança o nosso intelecto. Sobre o homem, há várias ciências para este fim: a biologia (físico), a antropologia (espécie), a psicologia (alma/mente) e a filosofia (razão de ser e de existir). No entanto, todas elas são vagas sem o conhecimento primário de quem Deus é. Pois fomos formados à Sua imagem e conforme a Sua semelhança.

Assim, na medida em que descobrimos quem Deus é, descobrimos, consequentemente, quem somos. Se Deus é santo, somos santos (I Pedro 1:15). Não pelos nossos esforços, mas por Sua graça manifesta através da cruz (Romanos 5:8) e reverberada por Sua Palavra – através do Espírito – em nossa alma e mente, de modo que nossa carne não seja mais escrava do pecado, mas serva da vontade (santidade) de Deus.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Simplesmente excelente


Jesus manifestou a excelência de Deus da maneira mais simples possível. Renunciou toda Sua glória e Se tornou semelhante aos homens (Filipenses 2:6-7). Não tinha sequer um lugar onde reclinar a cabeça (Evangelho segundo Mateus 8:20).

Matheus Viana

Jesus é a imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15). É a encarnação da excelência de Deus (Evangelho segundo João 1:14). Interessante a expressão que João utiliza em seu relato: “vimos a sua glória, glória como a do unigênito do Pai”.


A expressão grega que aparece no texto é dózan, que se refere ao brilho ou majestade de algo ou alguém, como por exemplo, o sol. Contudo, para registrar tal descrição, ainda que tenha usado o termo grego, o autor utilizou os conceitos judaicos de Glória divina. Há duas expressões no hebraico traduzidas como glória no português: shekinah e kabod. Shekinah traz a ideia de resplendor, de brilho; e kabod a de peso, majestade, autoridade. Sintetizando-os, podemos definir parte da excelência que Deus é em essência e que Jesus manifestou conforme o relato de João.

Excelência. Tema atualmente em voga. Explorado à exaustão com um caráter pavimentado pelo mote da teologia da prosperidade que preconiza, grosso modo, que o cristão enfermo ou pobre está em pecado ou não exerce fé suficiente para ser próspero. Ou seja, excelência, segundo esta vertente, consiste em ser abastado – sobretudo economicamente – e saudável fisicamente.

Mas, na contramão, Jesus manifestou a excelência de Deus da maneira mais simples possível. Renunciou toda Sua glória e Se tornou semelhante aos homens (Filipenses 2:6-8). Não tinha sequer um lugar onde reclinar a cabeça (Evangelho segundo Mateus 8:20). Nasceu em uma manjedoura. Isso mesmo! Seu primeiro quarto foi o de um animal. Não nasceu em um grande centro. Nasceu em uma pequena cidade chamada Belém, e viveu numa menor ainda chamada Nazaré da Galiléia.

Até os 30 anos, idade em que um judeu era considerado cidadão e que Jesus iniciou Seu ministério, trabalhou como carpinteiro. Ofício nada nobre. Há indícios e teorias sobre a nobreza das roupas que Jesus usava por serem vestes sacerdotais. Fato que reforça esta tese é o dos soldados romanos terem tirado sorte por elas (Evangelho segundo Mateus 27:35). Mas as Escrituras não fornecem detalhes precisos sobre esta nobreza.

Concluindo, nos fatores físico e social, Jesus foi uma pessoa comum. Sua simplicidade incomodou a cúpula religiosa de Sua época. E mais, ela impediu, de certa forma, Seu povo de crer que era o Messias prometido. Como pode ser o filho de um carpinteiro o Messias que há de vir?”. (Conf. Evangelho segundo Lucas 4:22). Esta simplicidade também foi Seu passaporte para a cruz. Pois, um dos motivos de ser preterido em detrimento de Barrabás foi a “blasfêmia” de se dizer o Filho de Deus sendo um sujeito tão comum. (Não deixe de conferir o texto 'A cruz da personalidade').

Jesus manifestou a excelência de Deus, “a glória como a do unigênito do pai”, em palavras e atitudes. Ou seja, através de Seu ‘fazer e ensinar’. Ao ouvirem Jesus, duas opções surgiam: ficarem maravilhados com tamanha sabedoria, ou se tornarem oposição por serem confrontados com Suas verdades penetrantes, contundentes e inquestionáveis. A veracidade de Seu discurso era Sua conduta. O testemunho irrepreensível as testificava (Evangelho segundo Mateus 7:28-29).

A ardente expectativa da criação que, conforme o apóstolo Paulo afirma, aguarda a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8:19), não anseia pela abordagem de pessoas ostentadoras e triunfalistas – conotações magnas de ‘prosperidade’ e ‘excelência’, respectivamente. Mas por pessoas íntegras. Dispostas a renunciar aquilo que têm – ainda que seja pouco – para ajudar ao próximo.


Essa era a ‘excelência’ vivida pelos cristãos primitivos. E não havia como ser diferente. Pois eles não seguiam “teologias” humanas, pautadas no conceito humanista de autoajuda. Mas perseveravam na doutrina dos apóstolos (Atos 2:42) que, por sua vez, seguiam a excelência do “unigênito do Pai”. Daquele que foi simplesmente excelente.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O evangelho pós-moderno

A transformação que o ‘evangelho pós-moderno’ tem difundido é apenas exterior. No entanto, a que Jesus deseja realizar em nós, através de Seu sobrenatural, é interior para depois refletir no exterior.

Matheus Viana

Algo sobre a qual devemos nos debruçar é o conceito do amor incondicional de Deus ao ser humano. Sim, Ele nos ama da maneira que somos e nos recebe em Sua santíssima presença em virtude do precioso sangue de Jesus ter sido derramado em nosso favor. Portanto, pautado neste amor, está a nossa transformação.

Paulo é explícito ao orientar: “Aquele que está em Cristo nova criatura é”. (II Coríntios 5:17). Esta transformação não é instantânea. É paulatina, processual, de Glória em Glória (II Coríntios 3:18). Resumindo, a salvação de Deus ao homem consiste em transformação. É exatamente este o elemento que tem sofrido uma severa relativização. O que tem causado a deturpação no caráter do Evangelho.

A transformação que o ‘evangelho pós-moderno’ tem difundido é apenas exterior. “Venha para Jesus e o milagre que você tanto espera será realizado. Sua cura física se manifestará e sua vida social e financeira terá um considerável ‘up grade’. Venha para a campanha dos milagres e sua vida nunca mais será a mesma”. Isso mesmo! O Evangelho da cruz tem sido reduzido ao ‘evangelho autoajuda’.

Apenas para constatar, o conceito de autoajuda, como a própria semântica da expressão já diz, trata-se de uma nomenclatura “politicamente correta” para egoísmo. Uma das necessidades básicas do ser humano, segundo o psicólogo Abraham Maslow, é o relacionamento social. Para desfrutarmos de um relacionamento social e afetivo satisfatório, o elemento ‘amor’ – em suas diversas vertentes - deve estar presente.

Jesus, sintetizando toda a Lei e os Profetas, disse certa vez: “Amarás o Senhor seu Deus de todo coração, de toda alma e de todo entendimento. E o outro semelhante a este é: amarás o teu próximo como a ti mesmo”. (Evangelho segundo Mateus 22:37 e 39). Vemos então que o amor se dá em três níveis: a Deus, ao próximo e, em último lugar, a si mesmo. Foi esta tríade, exatamente nesta ordem, que pavimentou a obra de Jesus na cruz.

O exercício da autoajuda, no entanto, inverte esta ordem. Em muitos casos, o amor a Deus e ao próximo nem são cogitados. Baseado no “prazer a qualquer custo” de Epicuro, o meu bem-estar é o que importa. Comportamento chamado pela psicologia de egocêntrico. É este, infelizmente, o caráter que fundamenta o evangelho pós-moderno. Jesus não passa de mero instrumento para a transformação exterior – o dito milagre ou transformação - a fim de que esta necessidade de autoajuda seja suprida.

Ao meditarmos nas Sagradas Escrituras, vemos que a transformação que o Evangelho de Jesus realiza é interior e reflete no exterior. Ou seja, a cura física, a restauração familiar, a obtenção de um emprego e a ascensão social são resultados, e não as causas. A mulher siro-fenícia provou da libertação sobrenatural em sua filha por ter seu coração transformado pelo quebrantamento. Seu orgulho foi provado até as últimas consequências (Evangelho segundo Mateus 15:21-28). Na contramão, muitos em nossos dias abandonam a fé por um tratamento - leia-se discipulado -  muito menos severo. Se o milagre exterior não acontece, não há motivo para se relacionar com Deus.

O filho pródigo, conforme vimos no texto anterior (A verdadeira “escada do êxito"), saiu do caos ao qual vivia por nutrir a consciência – algo interior – de que não poderia viver longe da presença de seu pai. Sim, apenas ele poderia oferecer vida abundante. Acho interessante a fala do jovem ao pai: “Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus servos”. (Evangelho segundo Lucas 15:19).

Quanta diferença! Templos evangélicos estão lotados de pessoas buscando – e muitas vezes exigindo – o milagre exterior. E o que é pior, este tipo de desejo é fomentado nos púlpitos. O arrependimento do filho pródigo e sua consequente conversão foram ações resultantes da transformação interior que experimentou. Ao chegar ao seu pai, sem lhe exigir nada – importante que se diga -, recebeu roupas novas. Isso fala de justificação. Recebeu um anel, símbolo de que era pertencente à família de seu pai.

O apóstolo Paulo ensina que o Espírito Santo é o selo de nossa redenção (Efésios 4:30). É Ele que testifica de que somos filhos de Deus e nos faz co-herdeiros, com Cristo Jesus, de Sua vida abundante em todas as áreas (Romanos 8:16-17). Esse é o maior milagre que alguém pode receber: o Espírito Santo, a essência do próprio Deus, habitando em nós (I Coríntios 3:16).

Além de roupas novas e um anel, o filho pródigo também recebeu sandálias novas. Transformação consiste em um novo caminhar. Muitos recebem o milagre e têm suas vidas mudadas, mas ainda continuam trilhando caminhos contrários aos de Deus. Uma cura física, por si só, não tem o poder de conversão. É possível alguém ser curado e ainda permanecer em pecado – errando o alvo. Fato que permeia a atual realidade da Igreja.

Que nos arrependamos a fim de desvencilharmos deste evangelho pós-moderno e convertermos de nossos caminhos. Corramos a carreira que nos está proposta: a transformação interior, a fim de que atinja o nosso exterior e todos ao nosso redor saibam que Jesus não apenas cura ou prospera, mas salva e faz do indivíduo nova criatura (Hebreus 12:1). Muito mais do que isto. O faz ser e viver à imagem e conforme à semelhança de Jesus Cristo (Romanos 8:29, Filipenses 4:13). Esse é o alvo que a transformação oriunda da Graça incondicional quer nos conduzir. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A verdadeira “escada do êxito”


Arrependimento, conversão, nova vida em Cristo. O filho pródigo não voltou para casa em busca de um milagre. Não reivindicou absolutamente nada. Foi convencido, por um coração quebrantado, de que não poderia viver distante de seu pai.

Matheus Viana

Devido à dinâmica e ao frenesi de uma sociedade globalizada – desdobramento da revolução industrial do século XIX e também da revolução científica e tecnológica vigente – surgem, com cada vez mais frequência, métodos pragmáticos de comportamentos e ações. E isso se dá em todas as áreas da vida humana. Três passos para isso, quatro para aquilo... Enfim. Estamos diante de um verdadeiro “taylorismo” moderno.

Esta espécie de fenômeno social alcançou o Evangelho. Sim, temos nos deparado com um cristianismo cada vez mais pragmático e limitado por métodos e estratégias. Os que não se adéquam a ele correm o risco de serem considerados blasfemos, à semelhança de Jesus, pela cúpula religiosa de sua época, quando veio estabelecer a reforma no relacionamento do homem para com Deus onde seria livre do jugo da Lei para viver a plenitude da Graça divina.

Há anos tenho ouvido a respeito de uma determinada “escada do êxito” que tem servido de fundamento para a prática do cristianismo: ganhar, consolidar, discipular e enviar. Isso mesmo! Para alguns, esses quatro passos são a metodologia suprema que define as nossas ações como cristãos. Mas quando meditamos, de maneira acurada, nas Sagradas Escrituras, pautados na liberdade que Jesus estabeleceu a nós através da doutrina dos apóstolos e dos profetas (Evangelho segundo João 8:32, Efésios 2:20-21) - e da pluralidade ministerial que ela gera - vemos que não é bem assim.

A saga do filho pródigo, relatada por Jesus através de uma parábola (Evangelho segundo Lucas 15:11-32), é uma representação lúdica de nossa jornada no tocante ao relacionamento com Deus. Antes, portanto, de falarmos sobre as ações do filho pródigo a fim de analisarmos os degraus desta “escada”, precisamos meditar sobre o significado de ‘êxito’.

Ao estudarmos sobre a história da filosofia, vemos que Sócrates (470-399 a.C) foi um dos principais personagens clássicos que empreenderam o modo de pensar que exerceu influência nos tempos bíblicos e, de certa forma, ainda exerce no mundo ocidental. Seu método de obtenção do conhecimento consiste na Ironia (em grego, perguntar), depois na Maiêutica (parto), onde dizia que as perguntas davam à luz a novas ideias cujo intento era sempre encontrar o conceito do objeto de seu pensamento. Sócrates foi responsável por dar um novo significado à expressão Logos – palavra, razão - que surgira com os adventos da cosmologia, vista sob o prisma do physis, que substituiu a cosmogonia que marcou a era mítica; e da escrita juntamente com a formação da Pólis (cidade/estado) e a democracia ateniense entre os séculos VIII e VI a.C.

Ao questionar “Qual a logos de justiça?”, Sócrates queria chegar ao conhecimento do que é, de fato, a justiça e qual a razão de sua existência. Pois, para ele, a justiça só poderia ser aplicada ao povo, de modo a beneficiá-lo, se seu conceito fosse plenamente definido e conhecido.

Mas, devido aos pensadores pós-socráticos, entre eles Soren Kierkegaard, considerado o pai do existencialismo cristão que contrapôs o liberalismo teológico, a Logos deu lugar ao relativismo dos absolutos por se derivar da dialética hegeliana. O que fez com que cada um interpretasse certos aspectos sociais e morais à sua maneira. E a expressão ‘êxito’ também foi atingida por esta mutação. Consequentemente, surgem os métodos para alcançá-lo de acordo com as interpretações existentes, ignorando o fato de que cada indivíduo possui uma personalidade. Ou seja, nenhum ser humano é, em sua essência, igual ao outro por ter sido criado por um Deus de multiforme sabedoria (Efésios 3:10). Portanto, uma pessoa age de forma diferente de outra.

O que é êxito para os homens nem sempre é êxito para Deus. Para muitos, o êxito é a riqueza. No entanto, para Jesus este “êxito” pode impedir alguém de herdar o Reino dos Céus (Evangelho segundo Lucas 18:25). No episódio do jovem rico, o êxito proposto a ele por Jesus era de abandonar as riquezas. Completamente o oposto do que é êxito para muitos, inclusive para o mancebo. Depois de avaliar, preferiu as riquezas ao invés de abandoná-las e seguir a Jesus.

Se o pecado foi o ato que levou o homem à queda e trouxe a morte a todos os homens (Romanos 5:12), e seu significado é ‘errar o alvo’, podemos concluir que o verdadeiro êxito é abandonarmos nossos caminhos e seguirmos rumo ao alvo que um dia o homem errou. Ou seja, renovarmos a nossa mente para vivermos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Romanos 12:2). Não há êxito maior do que este. É por isso que o apóstolo Paulo preconizou: “Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Filipenses 3:14).

Foi exatamente isso que o filho pródigo fez. Ele errou o alvo quando pediu sua parte na herança e abandonou o seio familiar em detrimento das agruras do mundo. Idealizou um êxito e o perseguiu. Mas o lugar para onde foi conduzido não foi nada bom. Chegou ao ápice da degradação humana: desejou se alimentar de comidas de porcos. E isso o fez se lembrar do verdadeiro êxito: viver na presença e na casa de seu pai.

Por isso galgou a verdadeira escada do êxito: arrependimento, conversão e nova vida em Cristo. Ao se deparar com a subvida ao qual estava submetido, disse: “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti”. (Evangelho segundo Lucas 15:18). Depois se levantou, “foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se ao pescoço e o beijou.” (Evangelho segundo Lucas 15:20). E, consequentemente, passou a viver a vida abundante que somente seu pai poderia lhe oferecer. “Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés”. (Evangelho segundo Lucas 15:22). Falaremos sobre estes três aspectos em outra oportunidade...

O filho pródigo não voltou para casa em busca de um milagre. Não reivindicou absolutamente nada. Foi convencido, por um coração quebrantado, de que não poderia viver distante de seu pai. Arrependido, converteu-se do caminho equivocado que trilhava, o de independência para provar dos prazeres do mundo. Esses são os elementos que o verdadeiro Evangelho gera na vida de uma pessoa. Mas, para isso, ele deve ser pregado.

Infelizmente, o evangelho (ouso chamá-lo de pseudo, devido às circunstâncias) atualmente propagado preza o triunfalismo e o “êxito” humano. Ignora que a salvação implica em renúncia e cruz (Evangelho segundo Mateus 16:24), elementos nada bons para o nosso ego. Sim, Jesus tem vida abundante para todo aquele que Nele crê (Evangelho segundo João 10:10). Mas, em muitos casos, ela se manifestará diferentemente do que esperamos. Se Jesus diz que no mundo teremos aflições (Evangelho segundo João 16:33), é porque enfrentaremos situações difíceis. Mas Ele estará conosco. Portanto, nada disso pode ter o poder de nos afastar Dele. Se o milagre esperado não se manifestar no tempo e da maneira que você espera, saiba que Jesus já realizou o maior milagre de todos: o de sua salvação!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Um ciclo contínuo

A verdade de que o homem não viverá a vida abundante que deseja enquanto estiver distante de seu Criador tem sido relativizada a todo custo. E, infelizmente, o coração de muitos tem sido inflamado desta distorção. Consequentemente, estes a reproduzem através da fala.

Matheus Viana

Jesus disse certa vez: “A boca fala do que está cheio o coração”. (Evangelho segundo Mateus 15:18). Afirmação com vários sentidos. Seu pano de fundo foi o fato de que o que contamina o homem não é o que entra, mas o que sai. Ou seja, a nocividade - efeito colateral - de uma sentença pode ser mais poderosa do que a de um alimento contaminado.

As palavras têm o poder de atingir as emoções e, consequentemente, a personalidade de uma pessoa. E isso pode desencadear uma somatização - quando o físico reflete uma psicopatia. Já a contaminação de um alimento, ainda que seja fatal, atinge apenas o físico.

Uma das principais linguagens de comunicação entre os humanos é a verbal, ou seja, a fala. O filósofo francês Georges Gusdorf, em seu livro A fala, afirma que por ser o homem um ser que fala, a palavra é a senha de entrada no mundo humano. Portanto, lembrando que uma das necessidades cruciais que temos é o relacionamento social e afetivo, a fala é uma ferramenta usada para expressar tanto os nossos pensamentos quanto os nossos sentimentos neste processo.

Como sabemos, o pensamento, em consonância com as emoções, determina o nosso comportamento. Isso mesmo: agimos de acordo com o que pensamos e sentimos. A fala, além de uma linguagem, é uma ação. Ela pode influenciar o modo de pensar, sentir e, consequentemente, agir de uma ou mais pessoas. Temos aqui, portanto, um ciclo: pensamos, sentimos e falamos. Falamos, outros ouvem e aquilo que ouvem determina, de certa forma, a maneira de pensarem, sentirem e agirem.

A questão inicial é: do que está cheio o nosso coração? Mais do que conter um caráter de advertência, ela possui um caráter de zelo. O sábio Salomão preconiza: “De todas as coisas que deves guardar, guardas o coração, pois dele procedem as fontes da vida”. (Provérbios 4:23). O sentido bíblico de ‘coração’ pode ser interpretado como o âmago do ser humano. É neste mote que Jesus repete o mandamento mosaico: “Amarás o Senhor Deus de todo coração, de toda alma e com todo o entendimento”. (Evangelho segundo Mateus 22:37).

Sabemos que o âmago, ou seja, a personalidade de um indivíduo é moldada por suas experiências de vida. Somos produtos daquilo que vivemos. Apesar desta verdade ser a atual, ela não é a original. O ser humano vive de acordo com aquilo que é. O homem, antes da queda, vivia à imagem e à semelhança de Seu Criador porque fora formado de tal modo, ou seja, ele era (Gênesis 2:7). Sua personalidade plena era composta destes dois atributos divinos. Mas a queda inverteu este processo. O homem provou da amarga experiência do pecado (errar o alvo) e passou, a partir de então, a viver pautado por ela.

O que levou Eva a pecar foi o fato de não ter guardado o seu coração. A fala ardilosa de Satanás, travestido de serpente, o inflamou de desejo por algo ilícito. O que saiu da boca do adversário contaminou o coração de Eva e, posteriormente, o de Adão. Por isso, passou a pensar de maneira incoerente ao intelecto imaculado de outrora. Seu sentimento foi acometido pela cobiça e sua consequente ação culminou em morte. Por isso o apóstolo Paulo afirma em sua carta aos romanos: “Por um homem entrou o pecado, e pelo pecado a morte, e a morte passou a todos os homens”. (Romanos 5:12).

Onde está o nosso coração? Do que ele tem se alimentado? O que tem saído de nossos lábios? Os meios de comunicação são peritos em disseminar determinadas ideologias, como se cada uma delas fosse a mais absoluta verdade. No entanto, a própria noção de verdade neste contexto é contraditória, já que vivemos em uma sociedade pautada pelo relativismo oriundo da dialética do filósofo alemão Georg Friedrich Hegel (1770-1831). Para Hegel, a verdade, grosso modo, depende da perspectiva a qual a analisamos. Ou seja, não há absolutos. Sem absolutos, não há verdade. 


O primeiro alvo que Satanás acertou com sua fala foi a relativização da verdade de que Eva morreria – deixaria de ser eterna por ser criada à imagem e à semelhança de Deus – se comesse do fruto proibido (Gênesis 2:17, 3:4). A estratégia não mudou. A verdade de que o homem não viverá a vida abundante que deseja enquanto estiver distante de seu Criador tem sido relativizada a todo custo. E, infelizmente, o coração de muitos tem sido inflamado desta distorção. Consequentemente, estes a reproduzem através da fala. Um ciclo contínuo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O profeta do desvio


Depois de um feito glorioso, o homem de Deus obteve um fim trágico por ter ouvido a palavra do profeta sem examiná-la à luz da soberania da Palavra de Deus. Fato comum em nossos dias.

Matheus Viana

Homem de Deus. Esta é a única descrição que a Bíblia dispõe sobre sua identidade. Sua vida tornou-se exemplo para nós, tanto positivo quanto negativo.

No lado positivo, sua conduta foi digna de um homem de Deus de verdade. Atendeu à ordem do Senhor e, em plena cisão entre os reinos de Israel e Judá, ele, que era de Judá, foi à Jerusalém. Sua missão era profetizar contra o altar idólatra que Jeroboão, rei de Israel, levantara para oferecer sacrifícios a outros deuses. O que, obviamente, causou a ira do Senhor.

Missão cumprida! Não, não se trata do bradar clássico do veterano de guerra John Rambo, interpretado por Sylvester Stallone, no filme ‘Rambo II - A missão’. O homem de Deus profetizou contra o altar dizendo que um descendente de Davi nasceria e derribaria todo o altar idólatra. Em outras palavras, restauraria a ordem divina sobre Israel. Jeroboão não gostou da ideia. Nem um pouco. Com o dedo em riste, ordenou aos seus servos: “Prendam este homem”. O braço que estendera paralisou (I Reis 13:4). Demonstrando compaixão, o homem de Deus atendeu o clamor de misericórdia de Jeroboão e orou ao Senhor para que seu braço voltasse ao normal. O que aconteceu de imediato.

Estupefato, Jeroboão quis recompensar o homem de Deus. Fez-lhe um convite para que fosse à sua casa, comesse algo e recebesse presentes. Imagine a honra! Ser convidado para comer na casa do rei de Israel! Mas não. A conduta do homem de Deus era pautada por Sua palavra. Sobre ele pairava a ordem: “Não coma pão, nem beba água, nem volte pelo mesmo caminho por onde foi”. (I Reis 13:9). O homem de Deus rejeitou a tentadora oferta do rei e seguiu seu caminho.

Podemos tirar muitas lições edificantes deste homem de Deus. Desde sua abnegação e renúncia, até seu comprometimento com o plano e a Palavra de Deus. Mas algo trágico lhe aconteceu. E isso, além de desviá-lo do caminho de Deus, causou sua morte precoce e, o que é pior, não foi sepultado junto aos seus antepassados. Algo valioso para a cultura da época.

Sabe qual foi a tragédia? Dar ouvidos a um profeta. Assustado? Pois é. Em dias onde os ditos dos ‘profetas de Deus’ são inquestionáveis à semelhança da Infalibilidade papal romana, este episódio vem à calhar. Mais do que isso: alertar a Igreja do Senhor sobre observarmos as advertências de Jesus e também do apóstolo Paulo: “Examinais as escrituras...” (Evangelho segundo João 5:39) e “Examinais todas as coisas e retendes apenas o que é proveitoso”. (I Tessalonicenses 5:21).

Um profeta idoso, que habitava na cidade de Betel, ouviu falar dos feitos do homem de Deus. O procurou de imediato. Assim que o encontrou, fez-lhe a proposta – mais do que indecente – de ir até sua casa e lá se alimentar. O homem de Deus recusou, pois era obediente à Palavra de Deus. É aqui que acontece o que devemos nos atentar.

O profeta, vendo que não lograva êxito, mudou a estratégia. Fez o mesmo convite, mas com ares espirituais. Ou seja, usou o método ‘Deus me disse’. Este é, infelizmente, em muitos casos, infalível: “Eu também sou profeta como você. E um anjo me disse por ordem do Senhor: ‘Faça-o voltar com você para a sua casa para que coma pão e beba água’. Mas ele estava mentindo’. (I Reis 13:20).

Pensando ser uma direção vinda de Deus, o homem de Deus obedeceu ao profeta. Mas desobedeceu à Palavra do Senhor. Por isso, no caminho de volta, foi morto por um leão e não foi sepultado com sua família. Depois de um feito glorioso, obteve um fim trágico por ter ouvido a palavra do profeta sem examiná-la à luz da soberania da Palavra de Deus. Fato comum em nossos dias.

Os que questionam, à luz das Escrituras, as palavras dos ‘profetas’ são tachados de críticos ou rebeldes. Não me importo. Não quero desobedecer à Palavra de Deus, ainda que a proposta venha de um ‘profeta’ e soe como espiritual. Ou seja, vinda de Deus. É impossível algo que contrarie Sua Palavra vir dEle. Ele não é homem para que minta. (Números 23:19). Já provei do dissabor do engano de ouvir uma voz contrária pensando ser de Deus. É amargo como o fel. Não quero prová-lo de novo. Por isso submeto palavras e direções “proféticas” ao crivo bíblico. Este sim é infalível. Pois, conforme afirma o profeta Jeremias, a Palavra de Deus subsiste eternamente.

sábado, 5 de maio de 2012

O holocausto da pressão


O holocausto que Deus deseja receber não é fruto de pressão, mas sim de amor e devoção.

Matheus Viana

O rei Saul ofereceu um holocausto a Deus (I Samuel 13:9-10). Uma atitude espiritual. Em meio a uma guerra - contexto em que Saul vivia - tal ato pode significar dependência de Deus. No entanto, será que era este o sentimento que permeava seu coração? Uma breve análise constata que não.

Saul fez a coisa certa, mas do modo errado e na hora errada. O motivo foi único: se viu pressionado. “Quando vi que os soldados estavam se dispersando e que não tinhas chegado no prazo estabelecido, e que os filisteus estavam reunidos em Micmás, pensei: agora os filisteus me atacarão em Gilgal, e eu não busquei ao Senhor. Por isso senti-me obrigado a oferecer o holocausto”. (I Samuel 13:12).

Mas o que levou Saul a se sentir pressionado? Os motivos são explícitos. O primeiro deles é que ele queria ganhar a guerra. Os soldados do exército que comandava estavam com medo. Sentimento que culminaria em derrota. Em sua visão, oferecer um holocausto os encorajaria. Contudo, por que Saul queria ganhar a guerra?

Apesar da obviedade do objetivo, é pertinente e necessário refletirmos sobre seus intentos. Queria Saul glorificar o Deus de Israel? Talvez. Perpetuar seu reinado sobre Israel? Bingo! O profeta Samuel, ao exortá-lo, desnuda seus objetivos ocultos: “Disse Samuel: 'Você agiu como um tolo, desobedecendo ao mandamento que o Senhor, o seu Deus, lhe deu; se você tivesse obedecido, Ele teria estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel'”. (I Samuel 13:13).

Deus reprovou o holocausto de Saul pela maneira e o motivo que o levaram a oferecê-lo. Saul quis, em nome do Deus de Israel e no meio do seu povo, edificar seu reino particular. Deus não tolera tal coisa. Vemos neste episódio duas realidades que assolam a Igreja atual: edificação de reinos particulares e pressão para oferecer “sacrifícios” no tempo indevido.

Comecemos pelo segundo ponto. Saul aguardou o período estabelecido pelo profeta Samuel: sete dias. (I Samuel 13:7). Sob este prisma, ele foi obediente. Foi o profeta que se atrasou. E a justiça de Saul não tolera atrasos. “Pontualidade” que lhe custou o reinado. Ela representa a justiça que pavimenta o “senso de urgência” humana. A alma de Saul ribombava: “O exército está com medo. Vamos perecer na batalha. O nome de Deus, o Senhor dos Exércitos, será envergonhado”. Argumentos que levaram Saul a cometer um ato, embora de aparência espiritual, precipitado e equivocado.

Argumentos diferentes, mas munidos do mesmo caráter, ribombam sobre o âmago da Igreja: “Vidas estão perecendo e indo para o inferno. A Igreja está apática, precisa acordar. O fim dos tempos está chegando, e....”. Holocaustos indevidos são oferecidos a Deus por conta de uma pressão tresloucada do “Evangelho em caráter de urgência”.

Sim, o apóstolo Paulo preconizou, por várias vezes, sobre a urgência de pregarmos o Evangelho do Reino de Deus. Ao seu discípulo Timóteo, advertiu: “Pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. (II Timóteo 4:2). Ensinando cristãos em Roma, exortou: “A ardente expectativa da criação aguarda pela manifestação dos Filhos de Deus”. (Romanos 8:19). No entanto, o mesmo homem que tinha tamanha consciência do senso de urgência é o mesmo que diz: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (I Coríntios 3:6-7).

Jesus elucidou sobre o caráter e o processo de colheita do Evangelho em uma de suas parábolas: “E dizia: O reino de Deus é como se um homem lançasse semente à terra. E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como.” (Evangelho segundo Marcos 4:27). Apesar da pressão que homens fazem por conta da “urgência”, o tempo da colheita não lhes pertence, mas somente a Deus. Sim, devemos ser conscientes da urgência em plantarmos esta preciosa e necessária semente em todo tempo. Mas neste senso não cabe a pressão. O holocausto que Deus deseja receber não é fruto de pressão, mas sim de amor e devoção.

Samuel não chegou a Gilgal no tempo determinado. Isso denota sua falta de responsabilidade? Se você acha que sim, acreditas que o erro de Samuel dava autoridade para Saul oferecer um holocausto sem a presença do profeta? Se sim, sinto lhe informar: você está errado! Deus se move por Seus princípios. Apenas um sacerdote poderia oferecer holocausto a Deus (Levítico 6:12). Samuel, além de profeta, era juiz e sacerdote. 

Mas Saul se viu munido de uma autoridade que não lhe pertencia por se sentir pressionado. Pois teria que ganhar a guerra a fim de perpetuar – edificar – seu trono sobre Israel. Apesar de seus esforços, Deus o rejeitou como rei. Deus não aceita servos pressionados. É melhor obedecer Seus princípios e Sua vontade – incluindo dons, ministérios e chamados plurais e específicos, de modo a respeitar a unidade orgânica da Igreja salientada pelo apóstolo Paulo em I Coríntios 12 – a nós, do que sacrificar (I Samuel 16:22).

Por isso, entre atender a pressão de homens de modo a me sacrificar e obedecer ao chamado de Deus à minha vida de pregar o Evangelho através da escrita e do ensino da Bíblia às crianças e jovens como professor de educação bíblica, eu prefiro obedecer. Quero oferecer a Deus um holocausto que seja fruto de meu amor por Ele, e não resultado da pressão.